Campanha do Agasalho 2009
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15 junho, 2009

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Lula assina parceria com ONU sobre empregos

Presidente assinará documento na sede da OIT em Genebra; no mesmo dia ele falará a participantes do Conselho de Direitos Humanos.

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina nesta segunda-feira, em Genebra, uma parceria com as Nações Unidas para implementar o Plano Nacional de Trabalho Decente no país.

A informação foi dada pelo ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, durante um discurso na sede da Organização Internacional do Trabalho, na sexta-feira. De acordo com o ministro, o Brasil está enfretando bem a recessão mundial.

G-20

"O Ministério do Trabalho se honra de fazer parte de um governo comprometido com a causa do trabalhador que está gerando ganho real nos salários deles e garantido o emprego. O Brasil se orgulha de ser o primeiro país do G-20 a sair da tão falada crise internacional", afirmou.

Ainda nesta segunda-feira, Lula participará da 11ª. sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, também com sede em Genebra.

Crianças na Internet

No mesmo dia, o órgão deverá emitir um comunicado sobre os trabalhos da comissão de investigação que apura alegações de violações dos direitos humanos durante o conflito na Faixa de Gaza.

Logo depois, o presidente Lula irá visitar a União Internacional de Telecomunicação, UIT, para receber o Prêmio 2009 da agência sobre proteção de crianças na internet.


Fonte: ONU Brasil


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24 maio, 2009

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Migrantes estão mais sujeitos a trabalho forçado

Na entrevista coletiva de lançamento do novo documento realizada na capital federal, a diretora da OIT no Brasil, Laís Abramo, ressaltou que o problema mundial do trabalho forçado está associado a processos de globalização
Por Bianca Pyl
Brasília (DF) - Trabalhadores migrantes que atuam na indútria têxtil, na agricultura e nos serviços domésticos são mais vulneráveis ao aliciamento, segundo Relatório Global sobre trabalho forçado da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Para o chefe do Programa de Ação Especial para o Combate ao Trabalho Forçado da OIT, Roger Plant, a garantia do direito dos trabalhadores migrantes se enquadra como um "desafio particular".

"Eles são mais vulneráveis quando estão em situação irregular, sob o risco de denúncias e de deportação", argumenta o representante da OIT. Ele realça, todavia, que há evidências de que migrantes em situação regular também podem se tornar vítimas de trabalho forçado por meio de formas contemporâneas de servidão de dívida.

Esses grupos, adiciona Roger Plant, podem acabar nas mãos de contratadores que recrutam a mão-de-obra. "A despeito de contratos assinados nos países de origem, eles acabam recebendo contratos diferentes nos países de destino, com salários menores e jornadas exaustivas".
Na visão dele, "existem ainda muitos casos flagrantes de trabalho forçado ao redor do mundo envolvendo violência física e conteções, mas formas sutis de coerção estão sendo disseminadas e exigem respostas criativas".
Para enfrentar esse quadro, a entidade propõe uma agenda em quatro frentes: pesquisa e coleta de dados, conscientização acerca do tema, ampliação de leis repressivas e de ações na Justiça, e fortalecimento de alianças entre empregados e empregadores contra o trabalho forçado.
Globalização
Depois da Ásia, a América Latina representa o maior número de casos de trabalho forçado em todo mundo. Na entrevista coletiva de lançamento do documento realizada em Brasília, a diretora da OIT no Brasil, Laís Abramo, ressaltou que o trabalho forçado é um problema generalizado. "O crime não acontece apenas em países pobres. O relatório conclui que o problema está associado a processos de globalização. O documento também deixa claro que a erradicação do trabalho forçado está ao alcance dos governos", declarou.
No caso da América Latina, o trabalho análogo à escravidão está intimamente ligado aos padrões de desigualdade e discriminação. "A ação de combate ao trabalho escravo forçado tem que ser parte de um amplo quadro de medidas e programas destinados a reduzir a pobreza e promover os direitos humanos", receita o Relatório Global da OIT 2009.

Ainda segundo o documento, a servidão por dívida é a forma predominante de trabalho forçado na América Latina. Assim como no 1º Relatório Global da OIT 2005, o Brasil continua sendo destaque por conta de ações como a "lista suja" (cadastro mantido pelo governo com o nome de empregadores que utilizaram mão-de-obra escrava), o grupo móvel de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a Comissão Nacional de Combate ao Trabalho Escravo (Conatrae), o Plano Nacional e o Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, que reúne mais de 180 empresas.

O exemplo do Brasil foi seguido pelo Peru, que criou uma Comissão Nacional tripartite permanente contra o trabalho forçado, em 2007. No ano seguinte, o Peru criou um grupo especial de inspeção contra o trabalho forçado. "A primeira auditoria [do grupo] confirmou a existência de trabalho forçado nos campos das madeireiras na região amazônica de Loreto", destaca o relatório.
A Bolívia, por sua vez, aprovou uma lei que transfere para o Estado a propriedade rural de quem for flagrado utilizando trabalho forçado. A iniciativa se assemelha à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 438/01 - a chamada PEC do Trabalho Escravo - que está parada na Câmara Federal do Brasil e determina o confisco da terra de exploradores de mão-de-obra escrava.
O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH), esteve presente no lançamento do relatório e cobrou mais presença empresarial nas articulações. "Há entidades setoriais que devem ser protagonistas no combate ao trabalho escravo, como a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil)".

Ele lembrou que há mais de 17 milhões de trabalhadores na área rural no Brasil, porém menos de 1% desse contigente é submetido ao trabalho semelhante à escravidão. "A maioria dos empregadores cumprem a legislação", comentou. "O Judiciário complementa o ciclo de combate ao crime. A impunidade gera a reincidência", completou Paulo Vannuchi.
Diferenças
Laís Abramo enfatizou também a importância de um entendimento comum entre os países para a construção de legislações e políticas adequadas à eliminação do crime. "Um número crescente de países tem emendado seus códigos penais reconhecendo novos delitos, adotando planos de ação e mecanismos interministeriais", aponta o relatório.

Existem, porém, diferenças nos enfoques nacionais. O relatório mostra que alguns países entendem o elemento da coerção como fator essencial do delito de tráfico de pessoas; outros enfatizam as condições inaceitáveis de vida e trabalho como fator-chave da exploração laboral; e outros ainda veem diferentes graus de gravidade, que vão desde a exploração não coercitiva até o trabalho forçado, sendo a escravidão o mais grave desses delitos.
Fonte: Repórter Brasil

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15 abril, 2009

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Mato Grosso começa a discutir Agenda do Trabalho Decente

BRASÍLIA (Notícias da OIT) – Mato Grosso poderá tornar-se o segundo estado brasileiro a ter uma agenda própria de Trabalho Decente, a exemplo do que já acontece na Bahia, que implantou a sua em dezembro de 2007. Entre os dias 14 e 16 de abril em Cuiabá, capital do Estado, a Conferência Estadual pelo Trabalho Decente vai discutir a execução de ações para reduzir os índices de trabalho escravo, trabalho infantil e acidentes de trabalho com morte no Mato Grosso. Estes serão os três eixos da futura Agenda de Trabalho Decente.
A Organização Internacional do Trabaho (OIT), que apoia a realização do evento, estará presente na abertura do encontro, com a Diretora do Escritório no Brasil, Laís Abramo. Estão confirmadas as presenças do ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, do governador Blairo Maggi, do presidente do Forum Nacional de Secretários de Trabalho (FONSET) e secretário da Bahia, Nilson Vasconcelos.
A primeira iniciativa do Estado do Mato Grosso para coordenar a agenda de Trabalho Decente foi a posse do Comitê Estadual ocorrida em agosto do ano passado. O Comitê é composto por 12 secretarias e representantes de organizações de empregadores e trabalhadores.
Esse comitê estabeleceu como prioridades a erradicação do trabalho infantil, do trabalho escravo e dos acidentes fatais no trabalho. Esses temas nortearão os debates da Conferência.

Fonte: OIT Brasil

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09 fevereiro, 2009

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OIT: Agenda do Trabalho Decente é a melhor resposta à crise

Efeitos da crise financeira mundial são discutidos por secretários do Trabalho na Bahia
SALVADOR (Notícias da OIT) – A Diretora do Escritório da OIT no Brasil,  Laís Abramo, afirmou que, em momentos de crise econômica, cresce a importância da implementação e fortalecimento da Agenda do Trabalho Decente defendida pela Organização Internacional do Trabalho.
“A Agenda do Trabalho Decente é um marco político adequado para enfrentar a crise. Muitos elementos desta Agenda estão presentes nas medidas atuais para fomentar a criação de emprego, intensificar e ampliar a proteção social e fortalecer o diálogo social.  Precisamente quando existe um risco significativo de aumento do desemprego e da precarização do trabalho, aumenta a importância das iniciativas de defesa do emprego e da renda e de aumento da proteção social de trabalhadores e trabalhadoras”, disse Laís Abramo ao participar nesta Capital da reunião nacional dos Secretários do Trabalho de 23 estados brasileiros, além de representantes do Ministério do Trabalho e Emprego. O tema principal do encontro foram as ações que devem ser tomadas como resposta à crise econômica mundial.
Para o governador da Bahia, Jaques Wagner, que falou aos secretários, a origem da crise reside justamente na desvalorização do trabalho. “Por muito tempo, houve uma desvalorização do trabalho e da atividade produtiva em geral e uma supervalorização do mercado financeiro. A proposta da Agenda do Trabalho Decente é uma antevisão da OIT de que isso era um grande equívoco.  Nosso maior desafio agora é gerar ocupação remunerada, pois só podemos assegurar cidadania com o fruto de trabalho de cada indivíduo. Não há nada mais importante hoje que o mundo do trabalho”, disse.
A reunião teve o objetivo de realizar troca de experiência entre os gestores e assegurar que medidas sejam tomadas com o objetivo de garantir a geração de trabalho e emprego em todo o país. Na opinião do secretário de Trabalho da Bahia, Nilton Vasconcelos, não basta evidenciar a existência da crise, pois o momento é de criar mecanismos para enfrentá-la. “A crise tende a precarizar o mercado de trabalho e o nosso papel é assegurar medidas que minimizem ou até mesmo extingam essas consequências. Uma das formas é criar mecanismos de geração de tabalho, além do mercado formal”, defendeu o secretário, que acredita na eficácia da Agenda de Trabalho Decente, já implementada pelo Estado, como importante alternativa.

Fonte: OIT

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29 janeiro, 2009

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OIT convoca governos a defenderem emprego no combate à crise

Para prevenir que 200 milhões de trabalhadores sejam levados à miséria, principalmente nos países em desenvolvimento, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) convocou governos a priorizarem investimentos produtivos, trabalhos formais e proteção social em resposta a crise financeira global.

“A Agenda para o Trabalho Decente é um importante pilar político para se combater a crise global”, disse o Diretor Geral da OIT, Juan Somavia, por ocasião do lançamento do Relatório Anual da Tendência Global do Emprego (GET), que completou: “A priorização do emprego no planejamento econômico, por meio da Agenda do Trabalho Decente, é a chave para o desenvolvimento”.

Somavia convocou o G-20 para que, em seu próximo encontro, marcado para o dia 2 de abril em Londres (Reino Unido), concorde urgentemente em priorizar, junto às questões financeiras, medidas para a geração de empregos e de proteção social para os trabalhadores. Segundo Somavia, o diálogo entre empregados, sindicatos, e empresas deve ter papel central nos planos de comabte à crise financeira.

De acordo com o relatório da OIT, baseado na evolução do mercado de trabalho, se os esforços de recuperação não forem eficientes, o número de desempregados pode chegar a mais de 50 milhões do que foi em 2007. Além disso, a quantidade de trabalhadores pobres, isto é, que ganham menos de dois dólares por dia, pode crescer para 1,4 bilhão, o equivalente a 45% dos trabalhadores no mundo.
Algumas medidas políticas recomendadas pela OIT estão sendo aplicadas por muitos governos, incluindo maior cobertura para quem recebe seguro desemprego e realocações em casos de haver trabalhadores em excesso. Investimento público em infra-estrutura, alojamentos e empregos sustentáveis, além de apoio a pequenas e médias empresas estão entre as recomendações da OIT respeitadas pelos países. 

Última Atualização ( quinta, 29 de janeiro de 2009 )

Fonte: UNIC RIO

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13 dezembro, 2008

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Brasil será o 1º país do Sul a apoiar fundo da OIT

GENEBRA (Notícias da OIT) – O Governo da República Federativa do Brasil fará uma contribuição de 300 mil dólares à conta suplementar do orçamento regular da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e, com isto, será o primeiro país doador do Hemisfério Sul a fazer este tipo de aporte.

A contribuição do Brasil será utilizada para apoiar programas na América Latina e no Caribe com o objetivo de promover os princípios e direitos fundamentais do trabalho. A OIT pediu aos países membros que, na medida de suas possibilidades, façam contribuições voluntárias à conta suplementar do orçamento ordinário (RBSA, na sigla em inglês) para promover o trabalho decente, de acordo com o que foi estabelecido na Declaração de Paris e no Programa de Ação de Accra.

Nos últimos anos, o Brasil conseguiu importantes progressos em suas políticas econômicas, sociais e de mercado de trabalho em sintonia com o Programa de Trabalho Decente da OIT. Através de sua contribuição, o Brasil espera disseminar experiências exitosas e boas práticas desenvolvidas no país na implementação de programas de promoção do trabalho decente, como o combate ao trabalho forçado.

“A decisão do Brasil abre caminho para uma forte cooperação Sul-Sul que apóie o trabalho decente e facilite o intercâmbio de experiências entre países que enfrentam situações semelhantes”, disse o Diretor-Geral da OIT, Juan Somavia.

O Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, destacou que “o Brasil está satisfeito de contribuir aos fundos RBSA, como parte de um esforço global de apoio à Agenda de Trabalho Decente, reafirmado na Declaração sobre Justiça Social e uma Globalização Eqüitativa aprovada em 2008, no marco da cooperação Sul-Sul e da necessidade de fortalecer a solidariedade entre as nações”.

“Esta contribuição será dirigida especialmente a apoiar a aplicação dos Princípios e Direitos Fundamentais do Trabalho e da Agenda Hemisférica de Trabalho Decente para as Américas de 2006 especialmente no que se refere à luta contra o trabalho forçado na região”, acrescentou Amorim.

O Brasil redobrou seus esforços para promover a cooperação técnica horizontal no marco do Programa de Trabalho Decente, em concordância com o estabelecido no Memorando de Entendimento firmado com a OIT em 2007 para o estabelecimento de uma iniciativa de cooperação sul-sul para combater o trabalho infantil.

Fonte: ONU-Brasil

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19 novembro, 2008

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Manual orienta empresários no combate ao trabalho forçado

19/11/2008

Manual orienta empresários no combate ao trabalho forçado

Organização Internacional do Trabalho (OIT) lança guia com informações e dados para que empregadores avaliem o risco de existência de trabalho forçado ou tráfico de pessoas em seus negócios e cadeias produtivas

Por Repórter Brasil

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) elaborou um manual para ajudar empregadores na luta global contra o trabalho forçado, que atualmente afeta cerca de 12 milhões de pessoas em ní­vel mundial.
O Programa Especial de Ação para Combater o Trabalho Forçado (SAP-FL)
da OIT elaborou um guia com informações e dados para que empregadores e líderes empresariais avaliem o risco de existência de trabalho forçado ou tráfico de pessoas em seus negócios e cadeias produtivas.
Para Roger Plant, chefe do Programa Especial da OIT, o papel do setor privado na luta contra o trabalho forçado é de vital importância. "As empresas solicitam cada vez mais informação sobre como combater o trabalho forçado. Seguiremos
apoiando-as".
O novo manual, intitulado "Combater o trabalho forçado: Manual para empregadores e empresas", oferece informações sobre temas tais como trabalho forçado, tráfico de pessoas, trabalho escravo, servidão por dívidas, abuso nos sistemas de contratos de trabalho, horas extras, e demais formas de coerção no trabalho. A publicação foi elaborada depois de várias consultas com especialistas de empresas, organizações patronais e grupos da sociedade civil, todos eles pertencentes a diferentes setores econômicos e regiões do mundo.
O manual oferece conselho práticos para todo tipo de negócios, incluindo quais medidas adotar para prevenir ou erradicar o trabalho forçado nas cadeias produtivas.
O manual recebeu o apoio da Organização Internacional de Empregadores
(OIE). Na opinião do secretário-geral da entidade, Antonio Peñalosa, a publicação oferece "novas ferramentas que ajudam as organizações de empregadores e seus membros a ter uma melhor compreensão do trabalho forçado, a adotar as medidas necessárias para evitar cair nesta prática e a contribuir para a erradicação total deste problema".
Clique aqui para acessar a íntegra do estudo (em Inglês)

Fonte: Repórter Brasil

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21 outubro, 2008

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A crise financeira e a aceleração da desigualdade

Rui Falcão

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou na semana passada um estudo intitulado “Informe sobre o trabalho no mundo 2008: Desigualdades de renda na era das finanças globais”, em que mostra que, a despeito do forte
crescimento da economia mundial e da criação de novos postos de trabalho desde os anos 1990, a desigualdade da renda aumentou dramaticamente na maior parte das regiões do mundo, e é provável que continue a se ampliar como resultado da crise financeira desencadeada nos EUA.

Embora se trate do mais abrangente e exaustivo trabalho sobre a desigualdade da renda em nível mundial realizado pela OIT e retrate em cores sombrias a situação de iniqüidade social crescente em todas as partes, a divulgação do estudo foi praticamente ignorada pela grande imprensa brasileira. Desconhece-se o motivo do silêncio; mas, com base no que parece ter-se tornado seu comportamento padrão, é plausível associar uma tal desatenção ao fato de o estudo atribuir a responsabilidade por essa situação, em grande parte, à liberalização financeira mundial – a globalização – defendida ardorosamente por esses mesmos meios de comunicação até às vésperas da eclosão da grande crise nos EUA e na Europa.

A situação do Brasil destaca-se entre a dos mais de 70 países analisados, por apresentar a maior desigualdade salarial do mundo – entre os 10% que ganham mais e os 10% que ganham menos - ao lado da China e dos EUA. Entre 1990 e 2005, a diferença de renda entre os mais bem remunerados e os menos remunerados aumentou em 70% nos países pesquisados pela entidade.

Ao mesmo tempo em que o emprego mundial cresceu 30% entre o início dos anos 1990 e 2007, ampliou-se o fosso entre os menores e os maiores ingressos familiares. Mais inquietante é que, comparado a outros períodos de expansão econômica, os assalariados têm recebido uma parcela cada vez menor dos frutos do crescimento, como se pode verificar na queda da participação do salário na renda nacional na maioria dos países abrangidos pelo estudo da OIT.

O Brasil não foge à regra. Embora o País tenha registrado uma redução da desigualdade desde os anos 1990 e a desigualdade tenha diminuído ainda mais no governo Lula, os trabalhadores não têm sido beneficiados com o forte aumento da produtividade registrado no período – e a OIT destaca que a elevação dos salários no Brasil chegou a ser negativa entre 1990 e 2005 em relação ao crescimento consistente da produtividade. É dizer que os ganhos de produtividade gerados pela expansão econômica dos últimos anos não têm sido transferidos para os salários. Da mesma forma, o crescimento do emprego foi acompanhado de uma redistribuição de renda em detrimento do trabalho. Como resultado, a participação dos salários no Produto Interno Bruto declinou de 45% em 1990 para 39% em 2005. Em outras palavras, quanto mais cresce a economia e o emprego, menor é a participação dos trabalhadores no usufruto desse crescimento – e a tendência, segundo a OIT, é piorar.

Nogeral, porém, o relatório é positivo em relação ao Brasil, ao reconhecer que o País tem conseguido reduzir a desigualdade de renda desde 1990, embora continue sendo um dos campeões mundiais nesse quesito. Ao lado da Malásia e Maurício, o Brasil é apontado como exemplo de que é possível crescer, ampliar empregos e reduzir as desigualdades.

Ponto alto do estudo é o papel atribuído à globalização financeira – conseqüência da desregulamentação e liberalização dos fluxos internacionais de capitais – como “causa importante” da desigualdade crescente da renda em todo o mundo. “A despeito do substancial aumento dos fluxos de capital, a globalização financeira não contribuiu para a melhoria da produtividade global nem para o crescimento do emprego. Esse resultado contrasta fortemente com os benefícios
para o desenvolvimento aportados pelas finanças domésticas”, diz o estudo da OIT.

Contrariamente às suas promessas, o programa de liberalização econômica imposto nas décadas de 1980 e 1990 aos países em desenvolvimento e assumidos no Brasil pelos governos Collor e FHC, como condição para a retomada do crescimento, não se fez acompanhar da redução da desigualdade. Privatização, abertura externa, desregulamentação — bandeiras do neoliberalismo — não contribuíram para a promoção da eqüidade.

O que fizeram, sim – afirma o estudo da OIT – foi ter contribuído para a intensificação da instabilidade econômica. Nos anos 90, as crises do sistema bancário foram dez vezes mais freqüentes que nos fins dos anos 70. O custo da instabilidade crescente foi pago, em geral, pelos grupos de ingressos mais baixos – e a globalização financeira reforçou a tendência decrescente da participação do salário na renda nacional na maioria dos países. Estudos realizados por outras instituições multilaterais corroboram as conclusões do relatório da OIT.

Ante a expectativa de que os trabalhadores venham a sofrer ainda mais com a crise financeira atual, o estudo da OIT adverte que é preciso muita atenção dos governantes para o impacto social das soluções ilusionistas impostas pelo constrangimento neoliberal da liberalização, desregulamentação, privatização e desqualificação do Estado-nação como promotor do desenvolvimento e da eqüidade.

Países não atingidos diretamente pela crise, como o Brasil, devem reforçar os controles prudenciais para evitar que ações irresponsáveis por parte de atores financeiros ponham em risco a retomada do crescimento e o emprego.

E, por fim, a recomendação de que, além das políticas públicas, se reforcem as estruturas de negociação coletiva (atenção, governador José Serra), uma vez que as entidades sindicais de trabalhadores têm desempenhado um papel positivo no esforço pela contenção do aumento da desigualdade na maioria dos países.

Longe de ser apenas um problema moral, o crescimento da desigualdade compromete o avanço da democracia, ao incapacitar os assalariados para o acesso aos recursos de poder que tornam possível o exercício da cidadania e da participação política e, no limite, ao excluí-los dos espaços democráticos de negociação que tornam possíveis as mudanças.

Rui Falcão, 64 anos, advogado e jornalista, é deputado estadual pelo Partido dos
Trabalhadores. Foi deputado federal, presidente do PT e secretário de governo
na gestão Marta Suplicy.

Fonte: Rede 3Setor

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