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19 novembro, 2008

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Negro ganha menos do que os não negros, segundo pesquisa do Seade/Dieese

19/11/2008 Folha de S. Paulo

Clipping: Renda do negro é metade da do não-negro

Segundo pesquisa Seade/Dieese, negro tem rendimento médio de R$ 4,36 por hora em SP; não-negro recebe R$ 7,98

Causas da diferença são o menor acesso à educação e o preconceito, que impede o negro de subir na carreira, segundo os especialistas

O trabalhador negro (preto e pardo) ganha apenas cerca da metade do que o não-negro (branco e amarelo) recebe na Grande São Paulo. São R$ 4,36 por hora, em média, contra R$ 7,98, segundo pesquisa realizada pela Fundação Seade e pelo Dieese.

Quanto maior o nível escolar, maiores as disparidades. O rendimento real do indivíduo negro que não concluiu o ensino fundamental é de R$ 3,44 por hora, e o do não-negro, R$ 4,10 -uma diferença de 19,2%.
Já na comparação entre duas pessoas que terminaram a universidade o abismo atinge 40%: o negro recebe R$ 13,86 por hora e o não-negro, R$ 19,49. O levantamento foi realizado em 2007, mas os valores tiveram correção monetária até julho.

"Considerando a média de R$ 4,36 por hora e o fato de que o negro escravo do Brasil Imperial contava com a renda indireta da comida e da moradia, pode-se falar que nada mudou", argumenta o presidente da ONG Afrobras e reitor da Unipalmares (Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares), José Vicente.
No que diz respeito ao desemprego, a situação apresentou pequena melhora nos últimos dez anos. Em 1999, a porcentagem de negros desempregados era de 24,3% ante 16,8% dos não-negros. No ano passado, as taxas estavam em 17,6% e 13,3%. O Dieese diz que a tendência é semelhante no resto do país, porém os números mudam segundo a composição étnica da população local.

"O crescimento da economia do país desde 2004 criou vagas para os negros. Algumas diferenças, entretanto, não se desfazem ao longo do tempo", diz Patrícia Lino Costa, coordenadora da pesquisa.

O indicador "mais preocupante", aponta, é o que mostra a distância entre os ganhos dos negros e dos não-negros que fizeram faculdade. O restrito acesso à escola é uma das principais causas da desigualdade no mercado de trabalho, mas, para quem conseguiu superá-la, o preconceito acaba sendo o pior obstáculo, afirma. Uma vez contratado por uma empresa, o trabalhador negro não consegue galgar posições e subir na carreira, daí a sua renda ser inferior à dos brancos que sobem na hierarquia, diz ela.
"Os negros não conseguem sequer entrar em um cargo mais elevado. Entre um engenheiro negro e um branco, certamente prefere-se contratar o branco, achando que o negro não é capaz", afirma Vicente.
"Na minha opinião, trata-se da dificuldade em lidar com o diferente", resume Costa. "Existe um perfil de trabalhador que o mercado recebe melhor: homem branco, entre 25 e 39 anos. Ou seja, negros são discriminados, mulheres, homens muito novos ou mais velhos."

Por isso, de acordo com os especialistas, a redução das disparidades começa na educação fundamental, para que as crianças aprendam desde cedo a lidar com as diferenças. Para Vicente, as cotas em escolas técnicas e nas universidades ajudam, porém deveriam ser uma "verdadeira política de Estado, e não fruto apenas da boa vontade de um grupo de reitores". As empresas, por sua vez, estão aumentando os seus programas de inclusão, diz Costa.

"O problema é a velocidade do avanço. No Brasil, que se orgulha da sua miscigenação, números como esses de renda e emprego são chocantes. Os EUA, onde até 50 anos atrás um negro não podia beber água no mesmo bebedouro de um branco, acabaram de eleger um negro presidente. Falta seriedade ao nosso governo", diz Vicente.
Denyse Godoy
19/11/2008

Fonte: Repórter Brasil

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06 novembro, 2008

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Brasil tem 5,22% de trabalhadores declarados negros no mercado formal

De acordo com a Rais 2007, rendimentos médios dos vínculos dos trabalhadores declarados como brancos são 55,7% superiores aos daqueles classificados como negros

                                                                                Foto: Renato Alves

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Brasília, 06/11/2008 - As informações sobre emprego e rendimento relativos à variável Raça/Cor da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2007 tratam somente do emprego celetista, que totaliza 29,8 milhões de vínculos empregatícios. Deste total, 63,21% foram declarados como brancos, indicando uma redução de 1,22 pontos percentuais em relação a 2006 (64,43%). Os trabalhadores declarados como pardos representaram 26,65% e aqueles declarados como negros: 5,22%. Tais resultados refletem um tênue aumento em relação a 2006 (26,43% e 5,13%, respectivamente).  

Foi o que divulgou hoje o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, em coletiva em Brasília. "O importante desta divulgação é mostrar a radiografia real do país. A Rais não é uma pesquisa. São dados reais fornecidos por todos os estabelecimentos do Brasil. Assim, podemos ver exatamente como é o mercado de trabalho", disse Lupi.

Os trabalhadores classificados como negros obtiveram maior aumento nos rendimentos médios (+2,98%), superior à média de 1,57%. Os trabalhadores declarados como brancos e como pardos registraram o mesmo percentual de elevação (+2,16%).

Apesar deste aumento, os rendimentos médios dos vínculos empregatícios dos trabalhadores declarados como brancos são 55,7% superiores aos daqueles classificados como negros e 47,9% acima dos considerados como pardos. No que se refere aos resultados de 2006, verifica-se que houve um declínio da relação entre os rendimentos dos empregos classificados com brancos versus os pretos/negros (56,9%) e uma estabilidade no que diz respeito aos trabalhadores pardos (47,9%).

Em relação à escolaridade, o nível de Ensino Médio Completo é onde se encontra a maior representatividade do emprego com uma média de 38,02%, assim distribuída: brancos (37,55%), pretos/negros (33,40%) e pardos (39,51%). No nível Superior Completo, observa-se um diferencial expressivo entre a participação dos trabalhadores segundo esta classificação: brancos (12,63%), pretos/negros (3,20%) e pardos (5,48%). Neste nível de escolaridade, as mulheres brancas têm uma representatividade de 16,95% ante 9,93% para os homens brancos, sendo de 5,49% para mulheres pretas/negras e de 2,24% para homens pretos/negros e de 9,0% para as trabalhadoras declaradas pardas, ante 3,82% para os homens pardos.

O que é a Rais? - A Relação Anual de Informações Sociais é um Registro Administrativo criado pelo Decreto nº 76.900/75, com declaração anual e obrigatória para todos os estabelecimentos existentes no território nacional. As informações captadas sobre o mercado de trabalho formal referem-se aos empregados Celetistas, Estatutários, Avulsos, Temporários, dentre outros, segundo remuneração, grau de instrução, ocupação, nacionalidade e informações dos estabelecimentos relativos à atividade econômica, área geográfica, etc.

Criada com fins operacionais/fiscalizadores e estatísticos, atualmente a principal função operacional da Rais é identificar os trabalhadores com direito ao recebimento do benefício do Abono Salarial. Em 2007, foram identificados 15,129 milhões de trabalhadores com direito ao benefício ante 14,189 milhões  em 2006.

Mais informações:
- Rais 2007: foram gerados 2,45 milhões de postos de trabalho com vínculo formal

Fonte: Assessoria de Imprensa do MTE
(61) 3317 - 6537/2430 - acs@mte.gov.br

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